Guilherme

 

Este e-mail foi enviado para nosso e-mail pelo Ronaldo, de Florianópolis.

No ano de 1983 eu namorava uma linda garota, chamada Adriana, a qual conheci na festa de aniversário do meu melhor amigo, o Celso Camacho.
Quando vi Adriana pela primeira vez, já me apaixonei, pois ela era linda, loira, olhos verdes, cabelos lisos e longos, um encanto.
Dançamos na festa e nos identificamos um com o outro. Pouco tempo depois começamos a namorar.
Os pais de Adriana moravam em um sítio próximo à Camupuã, Mato Grosso do Sul

, sendo que ela estava morando com sua tia na cidade de Araraquara, São Paulo, onde eu morava na época.
Ela dizia que ela foi morar com sua tia para ter mais chances de estudar e de conseguir um bom emprego, pois na cidade onde ela morava em Mato Grosso do Sul não existiam oportunidades de estudos e nem tão pouco de trabalho.

O tempo foi passando e Adriana disse para mim que passaria uma parte de suas férias no sítio dos seus pais, pois fazia tempo que não os via.
Eu gostaria muito de poder ir com Adriana e ficar com ela em suas férias no sítio dos seus pais, pois além de podermos ficar juntos, também seria um ótimo passeio e uma boa oportunidade de conhecer novos lugares, mas como eu trabalhava e não teria férias tão cedo, isso não seria possível. Mas como eu tinha direito à alguns dias de folga no trabalho, devido à ter realizado tarefas à noite, eu consegui tirar três dias, que emendando com o fim de semana, se transformariam em 5 dias. Já estava bom.
Então eu planejei levar a Adriana de carro, ficar lá três dias e voltar sozinho para trabalhar.
Adriana depois voltaria de onibus e eu a buscaria na rodoviária. Tudo estava perfeito.

Meu carro era um Passat TS, que era um ótimo carrona época, e eu cuidava muito dele, sempre fazendo revisões, então não me preocupava com a parte mecânica.
Chegada a data, partimos para a viagem.
De Ribeirão Preto, nossa cidade de origem até o sítio onde moravam os pais de Adriana, tinha aproximadamente 850 km.
É bom observar que naquela época não existiam os recursos tecnológicos que tem hoje em dia, como GPS, Celular e internet.
As rotas das viagens eram feitas por mapas mesmo. Eu usava um que conseguia no DER de São Paulo, era bem completo.
Quando chegou a data marcada, eu e Adriana partimos para a tão esperada viagem. Era começo de Julho de 1983, um Quarta-Feira.

Tudo transcorreu tranquilamente durante a viagem. Passamos por lugares lindos com incríveis paisagens.
O sítio onde moravam os pais de Adriana era um tanto afastado da cidade, sendo que tínhamos que pegar um trecho de estrada de terra, mas valeu a pena.
Seus pais foram muito simpáticos comigo e me trataram muito bem.
Lá andamos a cavalo, pescamos e fizemos passeios pela região. Foi uma delícia.
Quando chegou o sábado, conforme combinado, eu arrumei minhas coisas para o retorno.
Devido à estar me sentindo tão bem lá no sítio dos pais da Adriana, eu enrolei e acabei saindo tarde de lá, já anoitecendo.
Adriana e seus pais ficaram preocupados por eu partir naquele horário, pois eu não conhecia bem a região e tinha um longo trajeto pela frentem, mas mesmo assim eu resolvi ir, pois queria já no domingo estar em casa para me preparar para trabalhar na segunda-feira.

Então parti. Peguei a estrada de terra próxmo ao sítio dos pais da Adriana, e já estava escuro, pois naquela época do ano os dias eram mais curtos.
Como o tempo estava nublado ameaçando chuva, a noite se tornou mais escura ainda.
Ainda bem que meu carro tinha ótimos faróis e ainda tinha mais três auxiliares, dois que já estavam no carro, e mais um que coloquei antes de partirmos de Ribeirão Preto como precaução, pois eu não sabia se pegaríamos trajetos bem escuros e afastados de cidades.
Percorri alguns quilometros daquela estrada, e estava uma ventania danada. Os galhos das árvores balançavam muito.
Dava uma má impressão. Então começou a chover.

Eu seguia por aquela estrada de terra já por um bom tempo, até que em um certo ponto vi algo caído na estrada. Era um árvore que deveria ter sido derrubada pela chuva.
Não conseguia passar. Então me lembrei que havia uma derivação à alguns quilometros atrás, e voltei.
Chegando no local, enontrei duas derivações, uma para a esquerda e outra para a direita.
Imaginei que pegando à da direita, seguiria de certa forma em direção à cidade, e encontraria o caminho correto.
Então virei em direção à direita, e segui em frente.

Rodei alguns quilometros, mas já não tinha certeza de que aquele estrada me levaria para a cidade.
Conforme o caminho se seguia, eu notei no céu umas luzes estranhas. Eram como neons, ou lençõis de luzes suaves, nas cores azuladas, esverdeadas e vermelhas, isso sobre o caminho.
Achei estranhíssimo aquilo, mas segui em frente.
Avançando mais um pouco, notei que algo estranho estava acontecendo. Parecia que a escuridão estava aumentando.
No caminho todo, com os 5 faróis do carro ligados (os dois originais, mais os três auxiliares), eu via a vegetação à volta e os detalhes da estrada, mas naquele momento parecia que não havia mais nada em volta. Parecia que eu estava em uma estrada no alto de uma serra, e em volta houvesse algum tipo de despenhadeiro ou abismo, pois não existia nada para se observar ao redor.

Nesse ponto, fiquei assustado, então parei o carro e abri o vidro. Não ouvia nada, nem o vento e nem a vegetação balançando, só o motor do carro.
Então desci do carro para observar melhor, mas deixei o motor ligado para manter a carga da bateria, e todos os faróis acesos para iluminar em volta.

O que vou contar agora é algo atípico, anormal, estranho e bizarro. Aposto que ninguém acreditará, mas aconteceu mesmo.

“Não havia NADA ali”. Simplesmente nada. Quando eu digo nada, é vegetação, pedras, céu e até a estrada.
Eu estava pisando no “NADA”. Os faróis do carro iluminavam a região, mas eu só via o carro e as luzes dos faróis.
Não havia piso (chão), lateral, céu, e olhando-se ao redor, era um piche, um vazio, um breu.
Me senti perdido e angustiado, não sabia o que fazer.

Voltei para o carro e notei que nem estações de rádio funcionavam, só exisita chiado.
Eu nem sabia o que pensar e o que fazer, estava desesperado.
Pensei em seguir em frente com o carro, mas fiquei com medo de cair em algum burado, sei lá, pois não via nada, não existia nada, e eu nem sabia onde estava.
Então desliguei o carro e fiquei ali com o rádio chiando, parado por algum tempo, e não me lembro de mais nada.
Acredito eu que acabei, ou dormindo ou desmaiando, pois de repente eu escutei um barulho enorme, e quando abri os olhos, vi um trator na minha frente, e já era de manhã, pois tudo estava claro (Graças a Deus).

O motorista do trator desceu e perguntou: “Está tudo bem garoto?”.

Eu disse que não sabia, e perguntei onde eu estava, e ele disse: “Você está na estrada que leva à Camapuã”.

Ou seja, era a estrada que eu estava ANTES de desviar por causa da árvore.

Então agradeci o homem, segui em frente, cheguei à Camapuã, coloquei gasolina no carro e segui viagem.

Até hoje eu não sei o que aconteceu.
Não sei se o que houve tem a ver com as luzes que vi no céu, ou se não teve, mas não sei que luzes eram aquelas, e não sei que lugar “NADA” era aquele que eu fui parar.
Nâo foi delírio meu, pois eu não uso drogas, não fumo, não bebo e não tinha e não tenho qualquer doença.
Mas eu garanto que o que contei aconteceu mesmo, de verdade.
Todas as pessoas que contei isso na época zombaram de mim, por isso deixei de comentar o caso, mas agora que encontrei o site “Além da Imaginação”, onde vi outros casos incríveis que aconteceram com outras pessoas, me senti mais a vontade para contar o meu caso.
Só sei que despois dessa experiência, nunca mais viagei sozinho a noite, principalmente em locais afastados e sem referência.

Obs: Segundo Ronaldo enviou pois no relato cita a cidade de Araraquara, aonde eu moro….