Guilherme

 

Olá pessoal está ai mais um relato.

Durante um tempo da minha infância fui constantemente perseguido e assombrado por um fantasma, algo que eu acreditava ser uma bruxa.

Naquele tempo minha mãe  tinha muita dificuldade, pois meu primo da capital veio morar um tempo com a gente, e nós estávamos sempre em pé de guerra. Quando uma travessura surgia, ninguém admitia a culpa, ou seja, culpávamos um ao outro e minha mãe ficava fula, não sabendo em quem aplicar o castigo. Esse era o nosso modo de escape, pois sabíamos que ela não ousaria a impor a punição na pessoa errada. Foi numa dessas circunstância que ela muito indignada disse algo como “Essa noite vou mandar a bruxa puxar os pés de vocês!”. Nossa reação foi uma longa gargalhada, pois naquele tempo era normal a brincadeira de que se tratássemos muito mal uma pessoa quando viva, logo a pós a morte ela voltaria para se vingar puxando os pés durante o sono. Dai supomos que minha mãe estava inventando as coisas para nos pregar um susto.

Correu o dia. Quando chegou a noite (não lembro com certeza), mas já devíamos ter esquecido das palavras de que tal coisa viria nos assombrar, mas tivemos uma bruta surpresa: estava tudo escuro, sem um mínimo de claridade, pois o lugar onde eu morava era uma vila cercada pela vegetação, o quarto era um breu. Senti algo deslizar por debaixo das cobertas, e qual foi minha surpresa quando algo que parecia ser uma mão ossuda procurou um de meus pés, e quando o alcançou, eu instintivamente num medo súbito, recolhi o outro, queria fugir daquilo. Aquela criatura, seja lá o que era, falou comigo numa voz horrível, algo que não parecia ser deste mundo. Pedindo que eu desse a ela meu pé, me chamando de filho. Tamanho foi o susto que fiquei paralisado de tanto medo.

Desde aquela noite aquilo passou a suceder quase que frequentemente. Houve um tempo em que quase enlouqueci, pois não conseguia mais dormir a noite, e para piorar, nos fundos da minha casa tinha uma floresta que se espalhava por longos quilômetros. Falava-se muitas coisas sinistras daquele lugar. Eu e meu primo, na nossa imaginação infantil, sempre achávamos que aquilo vinha daquela floresta pois, pouco tempo mais tarde ouvimos relatos semelhantes ao nosso, de aparições da bruxa a crianças que tinha casas em volta daquele bosque.

Houve porém em um tempo que eu já não sofria mais com isso, pois havia cessado quase por completo. Em uma manha minha mãe veio ao meu quarto para me acordar para a escola. Era inverno, lembro porque no inverno aqui no sul a noite custa a se retirar. Naquele tempo meu quarto não tinha porta, então ela deveria ter posto a mão pela cortina para acender a luz. Não lembro com certeza, mas deve ter sido numa fração de segundos que pouco depois que ela acendeu a luz eu vi um vulto negro se desmaterializando, bem em frente a minha cama. Não consegui ver com clareza, mas lembro que era alto e bem negro.

Tinham noites em que eu costumava ficar acordado quase a madrugada inteira escutando barulhos que vinham do pátio envolta da minha casa, como se o vento tivesse uivando de leve. Algumas vezes eu acordava e ouvia vozes que vinham do quarto da minha mãe, pareciam duas pessoas conversando numa língua incompreensível. Uma das vozes eu sabia que era da minha mãe, a outra eu não tinha a mínima noção.

Com o tempo, isso parou de me assombrar. Passaram se os anos e com o tempo eu vim a aprender através da bíblia, que não passavam de demônios que se divertem assombrando as pessoas.

 

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