Guilherme

 

Olá pessoal aí está um relato enviado por Davi de Valinhos SP.

Toda vez que eu penso nessa história eu sinto arrepios, mesmo depois de todos esses anos. Eu me lembro daquela noite como se fosse ontem.

Isso aconteceu a quase dezesseis anos atrás. Eu tinha acabado de tirar a minha carteira de motorista e tinha pegado o carro do meu pai pela primeira vez.

A minha namorada e eu estávamos animados para ir em uma festa de um amigo nosso no sábado à noite – e eu estava mais do que nervoso dirigindo o carro, já que o ele quase sempre morria quando eu tentava sair com ele depois que parava ou estacionava ele.

Era começo de maio, mas o ar ainda estava quente e a lua crescente estava amarelada. Havia nuvens escuras de chuva no horizonte e elas estavam se aproximando.

A minha namorada e eu fomos para a festa e nos divertimos bastante – ficamos até bem tarde. Quando a festa acabou e o nosso amigo despachou todo mundo da casa dele, nós fomos embora, mas ainda não sentindo vontade de voltar para casa. Nós ficamos dirigindo pela cidade, procurando algum lugar para ir, já que eu estava bem animado por poder dirigir a vontade.

Nós fomos acabar parando perto de uma escola onde estudamos quando éramos mais novos. Nós não estávamos muito longe de onde morávamos, então nos sentíamos seguros ali, e não nos preocupamos com as nuvens chegando cada vez mais perto. Eu parei o carro no estacionamento atrás da escola, e então fomos até o playground que tinha lá (tinha apenas uma cerca de 1 metro impedindo a nossa entrada). Ele ficava em um gramado gigantesco, que tinha um poste velho bem no meio, que mesmo sem ter ninguém lá ele sempre ficava aceso de noite, iluminando o playground e o campo em volta, com um círculo de luz bem fraca e amarelada.

Nós dois nos sentamos nos balanços e ficamos conversando por muito tempo, só falando besteira e as vezes trocando beijos. Então começou a chover, mas era uma garoa bem fina, que até que estava bem agradável. Mas depois de uma hora tinha chovido o suficiente ao ponto de deixar o chão embaixo da gente todo lamacento – então nós estávamos tendo todo o cuidado de não colocar o nosso pé na lama (isso é importante de lembrar).

Então parou de chover e tudo ficou quieto, e nós já estávamos bem cansados a essa altura. Eu olhei para ela, para falar para irmos embora e ela já estava olhando para mim. Nesse momento um movimento atrás da gente chamou a nossa atenção. A uns 50 metros mais ou menos, alguma COISA estava rastejando no chão na penumbra, um pouco depois do alcance da luz da lâmpada do poste.

Nós dois ficamos olhando aquilo em horror, sem falar nada. Nós ficamos olhando enquanto aquela COISA rastejava na nossa direção, sempre ficando na penumbra. Tinha uma forma humanóide – era escuro e não usava roupas. Estava deitado sobre a barriga… os braços estavam largados ao lado do corpo, juntos da cintura.

Mas o mais assustador (além do fato de estar se movendo na nossa direção) era o modo como ele se movia e as pernas dele… Aquilo rastejava para a frente sem mexer nada, além dos pés. E as pernas… Se você olhar a estrutura normal do joelho humano, eles dobram para trás, os dessa coisa eram ao contrário – eles dobravam para a FRENTE (imagine como se você estivesse deitado no chão, com a barriga para baixo, os braços juntos ao corpo, e os seus joelhos estão apontados para cima a invés de estarem encostados no chão).

Nós ficamos olhando aquilo por mais alguns segundos… nós dois tínhamos parado de respirar e o único som que ouvíamos, era o da água escorrendo e pingando de algumas árvores que tinha por lá. Aquela coisa se moveu mais para perto da luz e levantou a cabeça, e então eu vi que haviam apenas dois buracos negros onde os olhos deveriam estar…

A minha namorada e eu PULAMOS dos balanços para a grama molhada e corremos para o carro que estava a uns 15 metros de lá. Teve alguns segundos de pânico enquanto eu não conseguia fazer o carro pegar – e eu estava apavorado de olhar para cima. Eu não queria ver “AQUILO” chegando perto, eu não queria ver aqueles joelhos anormais dobrando do jeito errado, e eu não queria ver aqueles olhos negros e sem alma e sem vida. Eu estava com medo de fazer o carro morrer quando eu engatasse a 1ª e de não conseguir fazer ele pegar de novo. Eu fiquei com a cabeça abaixada, olhando a direção. Então o motor do carro pegou, e eu consegui fazer o carro disparar noite adentro.

Eu fui até a casa da minha namorada e de lá eu liguei para os meus pais e contei o que aconteceu. Eles deixaram eu ficar lá, mesmo sem ter acreditado muito na história, com ela e a mãe dela, até o sol nascer em algumas horas. Nós esperamos e contamos para a mãe dela o que tinha acontecido para passar o tempo, só que ela acreditou na história e ficou muito assustada também (os meus pais acharam que devia ser alguém querendo assustar a agente).

Quando o sol nasceu naquela manhã de domingo, nós dirigimos de volta para lá com a mãe da minha namorada, para ver se “aquilo” ainda estava lá. Só que dessa vez nós fomos armados (a mãe da minha namorada tinha uma arma). Mas não tinha nada lá. Nós olhamos todo o campo e não achamos nada. Quando nós fomos dar uma olhada nos balanços onde estivéramos sentados antes, achamos um monte de pegadas de pés grandes (eu calçava 42 e as pegadas eram maiores que os meus pés, deviam ser tamanho 47, 48) e descalços… Elas estavam dando a volta nos exatos balanços onde nós tínhamos sentado. Nós dois estávamos de sapato enquanto estávamos nos balanços, e como eu disse antes, tomamos muito cuidado para NÃO pisar na lama. E nós não ficamos dando volta nos balanços, como essas pegadas. E essas pegadas foram a única coisa que encontramos.

De vês em quando, quando eu me sinto mais corajoso, eu volto para aquele campo do lado da escola tarde da noite (mas nunca sozinho). Eu fico sentado na minha caminhonete, parado do lado do campo, com o farol alto ligado, procurando alguma coisa de estranho na área, mas eu nunca mais vi aquela “COISA” de novo…