Guilherme

 

Olá pessoal este relato foi enviado lá de Recife, mais não se identificou.

Essa é a história sobre a casa em que eu morei até os 8 anos. Moravam duas famílias naquela casa, o meu tio, minha tia e os meus primos no andar de cima, e a minha família (pai, mãe, eu e mais 3 irmãos) no andar de baixo. Várias coisas estranhas aconteceram enquanto morávamos lá. Algumas delas eu presenciei.

A primeira coisa estranha que eu me lembro de ter acontecido foi quando a minha prima e eu, ambas com 5 anos, estávamos brincando com um baralho no andar de cima na sala dele. Se você olhasse para a janela da sala, de um lado tinha um armário embutido, e do outro uma entrada para o que era uma espécie de sótão, onde as nossas famílias guardavam um monte de tranqueiras.

A escada era um pouco íngreme e seguia o contorno da parede. Enquanto estávamos lá brincando com as cartas, os meus pais e os dela subiram correndo a escada, com o meu tio vindo por último com uma pá na mão, e foram para o sótão. Depois de alguns minutos todos eles desceram e nunca disseram uma palavra para a minha prima ou para mim sobre o que tinha acontecido, que achamos tudo aquilo bem estranho. Mais tarde eu descobriria que a minha tia tinha ouvido uns barulhos estranhos em cima dela enquanto ela estava na cozinha (na cozinha dela, no andar de cima), como se tivessem empurrando os móveis que estavam guardados lá. Depois de revistarem tudo, não acharam nada (a minha mãe me contou isso no ano passado).

Uma das minhas primas ( o quarto dela era em cima do meu e da minha irmã) tinha pesadelos freqüentes sobre um homem saindo do armário dela e ficando em pé do lado da cama dela. Noite após noite nós a ouvíamos gritando e logo depois a minha tia e o meu tio correndo para o quarto dela para acalmar ela. Depois de ver uns dois psicólogos, decidiram que ela não tinha nenhum problema, que era uma adolescente sã e sadia, mas não descobriram uma razão para aqueles pesadelos.

Um dia o meu irmão e eu fomos para o porão e ficamos bem apavorados. o porão tinha duas partes, uma era a garagem e outra tinha uma sala onde a gente tinha uma TV, uma mesa de sinuca, um sofá e uma poltrona que ela falava que era a cadeira do bicho papão. Nessa tarde nós estávamos nessa sala vendo TV quando as bolas de sinuca começaram a se mover sozinhas e a bater umas nas outras. Eu era nova na época, mas eu sabia a diferença entre bolas rolando em uma direção porque a mesa estava torta e as bolas rolando em uma direção por outro motivo qualquer. Nós não chegamos a ver as bolas realmente rolando, mas ouvíamos o “tak” delas batendo uma nas outras e sempre que olhávamos elas estavam em um lugar diferente. Até hoje o meu irmão olha para mim e diz “tak, tak, tak” e eu sei exatamente o que ele quer dizer com isso e o pelo na minha nuca se arrepia todo.

Um pouco tempo antes dessa tarde, o meu irmão que estava comigo lá, estava vendo TV na sala do lado da garagem. Ele estava sozinho lá em baixo enquanto o resto de nós brincávamos na cozinha enquanto a minha mãe preparava o jantar. De repente nós começamos a ouvir ele gritando desesperadamente lá em baixo, ele estava em pânico. A minha mãe desce correndo para ver o que tinha acontecido e quando chegou lá a porta da sala estava fechada. Ela abriu a porta e estava tudo escuro lá dentro, e ele estava encolhido no canto da sala. A minha mãe pegou ele no colo e perguntou o que aconteceu. Ele apontava para a poltrona e falava que o bicho papão tinha apagado a luz. Depois daquele dia ele começou a chamar a poltrona de cadeira do bicho papão e nunca mais sentou nela.

Alguns anos depois a minha prima que tinha os pesadelos se mudou de casa, assim como todos nós pouco tempo depois. um ex namorado dela acabou comprando a casa dos meus tios – mal ele sabia o que estava vindo de presente junto. Ele não conseguia alugar o apartamento do andar de cima, porque as pessoas “não gostavam de algo lá dentro” mas ninguém conseguia explicar o quê direito.

Uma amiga minha do trabalho a algum tempo atrás estava falando de como ela tinha alugado uma casa para ela, mas que achava que o lugar era assombrado. Ela começou a descrever o lugar e falou daquela estranha sensação que ela tinha quanto entrava no quarto grande da frente. Eu achei meio estranho e perguntei o endereço… Era a casa que eu tinha morado quando era criança! Quando eu falei isso para ela e o que a minha família e eu tínhamos passado naquela casa, ela acabou saindo de lá e arranjou outro lugar para ficar.

A minha mãe me ligou outro dia e falou que tinha uma notícia que talvez eu achasse interessante. O ex namorado da minha prima, Antônio (a minha mãe era amiga da mãe dele), que tinha comprado a casa dos meus tios, tinha alugado o andar de cima da casa para uma família, e depois de 10 dias recebeu uma ligação deles, falando que tinham saído da casa e que não iam voltar, e que iam arranjar alguém para pegar as coisas deles. Eles falaram que qualquer um que dormisse no quarto grande da frente via um homenzinho saindo do armário embutido e ficava parado do lado da cama.

Algumas coisas aconteceram com o Antonio também, uma vez ele estava andando pelo porão e uma vassoura estava flutuando atrás dele. Ele achava pequenos cortes na beirada das cortinas da casa. uma vez ele viu umas pegadas pequenas em uma mesa empoeirada que tinha um abajur em cima no andar de baixo da casa, e quando ele subiu para a casa de cima, achou as mesmas pegadas espalhadas por todos os lados, onde tinha poeira. Uma vez um amigo do trabalho dele perguntou o que ele estava fazendo no sótão de noite, porque ele passou pela casa dele e parecia que tinha um milhão de lâmpadas acesas lá em cima. O Antônio achou aquilo estranho, já que não tem eletricidade no sótão e ele não estava em casa naquela noite.

Depois de algum tempo o Antônio vendeu a casa, e desde então ela está esquecida. Os atuais donos da casa simplesmente parecem ter esquecido dela e não estão cuidando nem um pouco dela. Agora ela está realmente parecendo uma casa fantasma.

Mais duas coisas sobre a casa. O meu irmão arranjou uma namorada que é meio psíquica e apresentou ela para a minha família. Ela nunca tinha visto a minha prima que tinha os pesadelos de noite e não sabia da história dela. Depois de um tempo falando com ela, a minha prima mencionou que todos nós morávamos juntos em uma casa e a namorada do meu irmão olhou para ela e falou “você passou por uns maus bocados naquela casa. Foi por causa do homem pequeno, né?” Elas conversaram algo mais sobre o assunto, mas eu não sei o quê, elas falaram que o que elas conversaram era para ficar somente entre elas. E a outra coisa é que quando os meus tios compraram a casa, eles acharam uma bíblia, um pote com água benta e um pratinho com hóstias no sótão. Imagino por que será…