Guilherme

 

Olá pessoal aqui estou para contar mais um relato enviado até nós !

Desde os meus sete anos eu estudei em uma escola que era formada por três “pavilhões” que eram, antigamente, um hospital e dois manicômios. É, eu sei, é bem estranho um manicômio ter vindo a tornar-se uma escola, mas é que segundo os boatos da cidade, o local era inapropriado para aquele tipo de atividade, porque não tinha grades e materiais suficientes para atender os pacientes.

Eram dois pavilhões à frente e um atrás. Eu estudava no pavilhão de trás. O pavilhão do lado direito era usado para ensino médio e o esquerdo era vazio, cercado de mato e inteiro destruído, tinha sangue nas paredes, pichações e não tinha vidro nas portas e janelas.

Todos os dias eu e minhas amigas sentávamos em frente ao pavilhão vazio durante o recreio. E como éramos crianças, nunca reparamos muito naquele lugar abandonado.

Mas quando eu tinha onze anos, passamos a prestar mais atenção naquele pavilhão. Certo dia estava, como de costume, conversando e notamos no final do corredor alguém acenando para nós, e pensamos que fosse realmente “alguém”, então respondemos com outro aceno. Então quase todos os dias esse “alguém” (que parecia ser uma garota) acenava pra nós, mas como o pavilhão era cercado por tela e não tinha portão de entrada, só podia ser visto de fora.

Ao sair da minha escola, passávamos por um corredor ao lado do pavilhão abandonado. Um dia o portão da escola estava aberto e fui até lá ver quem era a menina que acenava sempre. A questão era que não havia ninguém! Então voltei para frente do pavilhão onde minhas amigas esperavam ansiosas para saberem quem era. Chegando lá eu disse que não havia ninguém do outro lado, quanto menos acenando. Elas me mostraram assustadas a menina, novamente no final do corredor. Sempre vestia um vestido branco cheio de brilho, mas como era um longo corredor, não era possível ver o rosto dela, então combinamos que desta vez eu ficaria ali e minha amiga daria a volta para ver a menina. Então certifiquei-me de que a garota em momento algum saiu de lá (ela tinha uma aparência triste, mesmo de longe, parecia desmotivada). Minha amiga ao retornar disse:

– Não tem ninguém lá. Aposto que ela ficou com medo e saiu correndo.

E eu olhava pasma para a garota no final do túnel. Então cutuquei minha amiga fazendo-a olhar para a menina, mas minha amiga insistia em dizer que a garota já tinha ido, enquanto eu ainda a via.

Depois desse dia só eu passei a ver essa garota e as minhas amigas zombavam de mim dizendo que eu estava era vendo fantasmas. A questão era que a menina realmente não existia, porque todo o dia a mostrava para minha avó que me buscava na escola, e ela também não a via.

E foi sempre assim… Até hoje passo por lá e fico me lembrando “quem seria aquela garota?” Afinal, as lendas da cidade dizem que morreram muitas pessoas lá, não só por falta de recursos, mas porque em certa época houve um descontrole no manicômio, tipo uma rebelião, e por isso foi interditado. O mais interessante é que dos três pavilhões, esse é o único que nunca foi invadido por vândalos.